17 de set de 2009

A vida caminha sozinha só até a ponta

Esse é um texto do Rodrigo Borges, jornalista do Destak e dono do ótimo blog Estado de Circo e tem tudo a ver com o meu momento de vida (de de outros amigos também):


O vento, ali, cortava feito a lâmina da navalha. Era tão escuro que não se enxergava viv’alma. Mas não enxergaria se dia fosse, porque não reconhecia mais ninguém na multidão. E não era mais um na multidão, porque também não se reconhecia.

Estava encostado no muro e, na outra ponta do baseado, passava sua vidinha em revista pela mente, sem se preocupar com o frio de navalha ou com a escuridão vampiresca. Em que momento deixara de lutar pela própria vida? Não, entenda, a saúde era boa. Sujeito forte. Mas se deixou levar. Como aquele vento frio naquela rua escura. A vida decidia sozinha pra onde ia. Não era aquela a melhor maneira de viver.

Não era bom de decisões. Se tivesse 20 vagas no estacionamento, demoraria meia hora para escolher onde pararia. “Prefiro estacionamento cheio. A primeira vaga que aparecer é a minha”, ele mesmo confessava. E se sua decisão tivesse de magoar alguém, era capaz de encostar num muro. E esperar que a vida passasse e aquele frio de navalha lhe cortasse a alma.

Até que queimou o baseado até o fim. A pontinha apagou. Virou, olhou para aquela ponta queimada e apagada. E começou a andar. Porque decidiu que ia desligar o piloto automático e dirigir a vida. No horizonte, o sol anunciava o dia que chegava.
Rodrigo Borges

Um comentário:

Rodrigo Borges disse...

Obrigado pela referência, Luciano. Abraço!